Segundo o dicionário Houaiss, “saudável” é tudo que traz benefícios à saúde. Então, pare e pense. Seus hábitos alimentares e sua freqüência na prática de exercícios permitem que você qualifique sua vida como “saudável”? No seu caso, quem vence o embate entre aquela feijoada do restaurante perto do serviço e o sentido de auto-preservação? Brincadeiras à parte, a preocupação com a qualidade de vida tem sido um tema recorrente para grande parte das pessoas.
No entanto, definir o conceito de “vida saudável” não é das tarefas mais fáceis. Em linhas gerais, especialistas de diversas áreas do conhecimento concordam que para se alcançar este ideal de saúde é preciso combinar diversos fatores, como alimentação equilibrada, atividade física freqüente e prevenção de doenças. O que não é uma tarefa fácil, em especial nos tempos de hoje. A combinação da falta de tempo com o estresse, gera um efeito negativo até mesmo na iniciativa de alguém que pretende mudar seu estilo de vida.
“Na verdade, a definição ideal é criar um ´contexto` de vida saudável”, afirma o fisiologista e professor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Miguel Arruda. Isso significa criar condições para ampliar a qualidade de vida – não apenas melhorando a condição fisio-biológica, mas também psicológica, reduzindo o estresse provocado pela forte rotina de trabalhos e estudos. Não tenha dúvida de que não é dos caminhos mais fáceis. Mudar hábitos e reorganizar a rotina exige dedicação e disciplina.
“É uma barreira difícil de ser quebrada, um momento de adaptação psicológica e comportamental”, diz Arruda. Mas, apesar de os resultados não surgirem em curto prazo, eles certamente vêm. O reflexo pode ser conferido no aumento da resistência a doenças, melhora no desempenho físico e redução do estresse. O importante é dar o passo inicial: “É um círculo vicioso. A pessoa aumenta o estresse, não tem tempo para fazer exercícios, não come direito… precisa arrumar tempo para a atividade física, para se cuidar. Não pode achar que está desperdiçando tempo. Esse tempo vai reverter em benefícios para todas as outras atividades, que serão melhoradas”, conclui Arruda.
Confira abaixo alguns conceitos, dicas e recomendações sobre o principal “tripé” de uma vida saudável – Exercícios regulares, Alimentação equilibrada e Preparo psicológico:
Atividade física – o importante é a regularidade
Um dos principais pilares de uma vida saudável é a prática de exercícios. Esse conceito, no entanto, não é simples como a maioria das pessoas pensa. Não adianta jogar um futebolzinho aos sábados e achar que a situação está resolvida. O importante é criar uma rotina para que o corpo seja constantemente estimulado pela atividade física. “A falta de atividade física reduz a qualidade dos órgãos. Hoje, o sedentarismo é mais grave do que há algumas décadas porque alguns agravantes se intensificaram, como o estresse”, explica o professor do curso de Fisioterapia da Unicid (Universidade da Cidade de São Paulo), Sérgio de Souza.
Se você está decidido a ter uma rotina saudável, tenha calma para dosar a intensidade dos seus exercícios. Atividade física em excesso pode ser tão superficial quanto a ausência da mesma. “O que importa é a freqüência durante a semana, não o volume praticado. Em alguns casos, as pessoas acham que vale fazer um único dia e uma carga horária grande. Não é interessante. É melhor fazer mais dias na semana em quantidades menores”, diz Arruda.”Isso é importante porque estimula o organismo mais vezes durante a semana e gera o que se chama de mecanismo de adaptação orgânica.”
Para que o corpo possa apresentar resultados efetivos, é preciso que seja constantemente estimulado a fazer exercícios. “Quando se aplica um estímulo no corpo, ele fica suscetível a uma repetição. Se você não mantém, ele desce para um nível mais baixo que o inicial. É o que acontece com o ´atleta de final de semana`. Ele não melhora sua condição física porque o estímulo é baixo”, diz Arruda. “O ideal para jovens, seria, pelo menos, quatro sessões semanais de atividade física. Mas isso também depende do tipo de pessoa e do que ele espera dessa melhora de saúde”, complementa Souza.
Essa prática regular, no entanto, exige força de vontade dos interessados. Não há fórmula mágica. Você pode escolher o exercício que mais se adapta ao seu interesse e à sua necessidade. “Não há uma fórmula para ser repetida. Houve um tempo em que se exaltava a caminhada, depois a corrida, depois os esportes aquáticos. Na verdade, todos são bons. O que precisa é destinar tempo e vontades exclusivos para determinada atividade física”, encerra Arruda.

Texto escrito Por Renato Marques

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